Surfe em Saquarema: As Melhores Praias
Não é marketing de agência de turismo. Quando uma cidade ganha o título oficial de Capital Nacional do Surfe — e ainda tem uma praia apelidada de “Maracanã do surfe” —, é porque a geografia do lugar fez algo muito especial ali. Graças à posição da plataforma continental, Saquarema recebe ondulações com uma força e uma perfeição raras no litoral brasileiro. É o tipo de mar que forja campeões mundiais.
Mas a grande dúvida de quem não é profissional é: “Será que tem espaço para mim nesse mar?”. A resposta é sim. O litoral de Saquarema oferece desde as ondas tubulares e assustadoras para os mais experientes até espumas amigáveis para quem quer ficar de pé na prancha pela primeira vez. Este guia vai te mostrar exatamente onde colocar a prancha na água — ou onde sentar para assistir ao show.

Resumo Rápido
- 📍 Local: Saquarema, Região dos Lagos (RJ) – Capital Nacional do Surfe.
- ⏱ Tempo: Um fim de semana para iniciantes; para surfistas experientes, vale a pena ficar a semana toda para pegar o melhor swell (ondulação).
- 💰 Preço: O mar é de graça. Aulas de surfe variam entre R$ 100 e R$ 150 a sessão com aluguel de prancha incluso.
- ✅ Vale a pena? É obrigatório. Você não conhece o verdadeiro surfe brasileiro até dropar uma onda ou assistir a um campeonato em Saquarema.
- 👥 Público indicado: Surfistas de nível iniciante, intermediário e avançado, além de admiradores do esporte e fotógrafos de ação.
🎯 Para quem é esse destino
Saquarema respira parafina. Se você quer aprender a surfar com instrutores que conhecem o oceano como a palma da mão, esse é o lugar. Se você já tem experiência e quer testar os seus limites em ondas de consequência, com buracos e tamanho, esse também é o lugar. E se você não tem a menor intenção de entrar na água, mas quer sentar na areia com um açaí e ver manobras de nível mundial acontecendo a poucos metros do calçadão, adivinhe? É aqui mesmo.
É, enfim, um destino para surfistas de nível iniciante, intermediário e avançado — e também para admiradores do esporte, fotógrafos de ação e quem simplesmente gosta de ver o mar grande trabalhando. O que muda de um perfil para o outro é apenas a praia certa e o horário.
🌊 Por que o mar de Saquarema é tão bom?
A fama de Saquarema não é acaso. A cidade está posicionada de um jeito que praticamente “canaliza” as ondulações que chegam de sul e sudoeste, com a plataforma continental desenhando ondas que se organizam, ficam longas e ganham força antes de quebrar. Em Itaúna, o canto de pedras funciona como um point break natural: a onda quebra em sequência, abrindo uma parede que permite manobras longas — exatamente o que os juízes da WSL querem ver.
É por isso que a elite do surfe mundial escolheu Saquarema como casa no Brasil. E é por isso, também, que o mar ali ensina: quem aprende em Saquarema acaba pegando intimidade com ondas de verdade, não só com espuminha de piscina.
📍 Como chegar (a logística das pranchas)
Ir de carro, pela RJ-106, é de longe a melhor opção. O transporte público limita muito a mobilidade de quem carrega longboards ou várias pranchas, além de restringir a busca pelas melhores ondas de acordo com o vento do dia.
Dica de ouro: se você estiver com as pranchas no rack do carro (fita rack), certifique-se de que estão extremamente bem amarradas. A estrada cruza serras e áreas de muito vento lateral antes de chegar à cidade — e uma prancha solta a 100 km/h não é só prejuízo, é perigo para quem vem atrás.

📅 A melhor época (inverno x verão)
O surfe em Saquarema muda drasticamente com as estações, e escolher a data certa muda tudo.
Para os casca-grossa (outono e inverno): de abril a agosto. É a temporada dos swells gigantes de sul e sudoeste. As ondas passam facilmente dos 2 metros, e é quando a elite da WSL (Liga Mundial de Surfe) desembarca na cidade.
Para aprender e evoluir (primavera e verão): de setembro a março. As ondulações de leste predominam, o mar fica mais amigável, a água um pouco menos gelada e os bancos de areia menores são o cenário perfeito para escolas de surfe e iniciantes.
Vale lembrar que a água em Saquarema costuma ser mais fria do que a de outras praias do estado, especialmente no inverno. Quem vai surfar entre maio e setembro costuma usar roupa de borracha (wetsuit) — uma mão na roda para aguentar horas de remada sem tremer. No verão, a maioria surfa de lycra ou até de short, dependendo do vento e da sensação térmica.
💸 Quanto custa a sessão
Além do combustível e pedágio para chegar à cidade, os gastos específicos do surfe ficam em torno de:
- Aula de Surfe: R$ 100 a R$ 150 (com duração de 1h a 1h30).
- Aluguel de Prancha/Longboard: R$ 50 a R$ 80 por hora para quem já sabe surfar e não quer viajar com o equipamento.
- Fotografia de Surfe: Existem muitos fotógrafos locais na areia. Um pacote de fotos da sua “quedinha” costuma custar entre R$ 50 e R$ 100, um investimento que vale cada centavo para registrar o momento.
Os valores são aproximados e mudam conforme a temporada, então vale confirmar direto com as escolas e os fotógrafos antes de fechar.
🏄 O que fazer: o top 4 picos de surfe
O segredo de Saquarema é saber ler o mar e escolher a praia certa para o seu nível no dia:
- Praia de Itaúna (Para Assistir e Nível Avançado): O palco principal. O lado esquerdo (perto das pedras) segura ondulações gigantes e forma esquerdas perfeitas, longas e tubulares. Nos dias clássicos, o mar é denso e o repuxo é brutal. Se você é iniciante, fique na areia tirando fotos; o show já vale a viagem.
- Praia da Vila (Para Intermediários e Constância): Atrás da famosa Igreja. É uma praia exposta que funciona com quase todas as direções de ondulação. As ondas são um pouco mais curtas e quebram mais perto da areia do que em Itaúna, sendo excelente para surfistas intermediários que querem treinar manobras.
- Praia de Jaconé (Para Fugir do Crowd): Fica mais afastada do centro. Quando Itaúna e Vila estão superlotadas (o famoso crowd), Jaconé oferece quilômetros de valas espalhadas. Se o vento terral (nordeste) estiver soprando, os tubos rolam soltos sem você precisar disputar onda com 30 pessoas.
- As Espumas do Canto de Itaúna (Para Aprender): Nos dias em que o mar está menor e a maré mais seca, a parte de dentro de Itaúna (no raso) vira o paraíso das escolinhas de surfe. O fundo de areia é seguro e a força da água te empurra na velocidade certa para o tão sonhado “drop”.

🚫 O que evitar (as furadas clássicas do surfe)
- Não respeitar o localismo. Saquarema tem uma comunidade de surfistas locais apaixonada e casca-grossa. Respeite a fila, não “rabee” (entrar na onda do outro) e mantenha a educação na água.
- Ignorar a correnteza de retorno. As famosas “valas” — os canais por onde a água volta para o mar — são essenciais para os surfistas atravessarem a arrebentação sem esforço. Mas, para iniciante ou banhista, ser pego em uma vala em Itaúna é desesperador. Não entre no mar pesado sem instrução.
- Esquecer a parafina no sol. Um erro amador clássico: deixar a prancha com a parafina exposta ao sol escaldante da areia derrete toda a cera, suja o carro e ainda te deixa escorregando na hora H.

🎒 O que levar na mochila (o kit surf)
O foco aqui é praticidade e hidratação. Você não vai querer carregar peso extra depois de remar por duas horas:
- Protetor solar de zinco (físico): O protetor normal derrete na água salgada e escorre para o olho, ardendo muito. Os protetores em bastão ou pasta (zinco) são a salvação de quem fica muito tempo no mar.
- Cooler térmico prático: A fome e a sede pós-surfe são brutais. Deixe um cooler no carro com lanches rápidos, frutas para repor o potássio (bananas) e uma Coca Zero estupidamente gelada para matar a sede assim que tirar a cordinha (leash) do pé.
- Poncho atoalhado: Facilita muito a troca de roupa no estacionamento ou no calçadão, protegendo do vento leste que costuma bater forte no final da tarde.

🗓️ Roteiro sugerido
Sábado de manhã: aula no canto de Itaúna, no raso, com o mar menor — o melhor lugar para destravar o primeiro “drop”.
Sábado à tarde: sentar no calçadão de Itaúna para assistir aos locais (e, em temporada, aos atletas da WSL) trabalhando as ondas grandes.
Domingo de manhã: escolher entre a Praia da Vila (constância) ou Jaconé (menos crowd), conforme o vento e o seu nível.
Domingo à tarde: fechar com fotos na areia, um açaí e o pôr do sol — a recompensa clássica de quem suou na água o fim de semana inteiro.
⚖️ Afinal, vale a pena?
O ModoBeta te tira do roteiro automático. A gente joga limpo e mostra o lado real dos destinos: o que realmente vale o seu suor, as furadas que você precisa evitar e a logística exata para aproveitar cada lugar da melhor forma.
A cultura do surfe em Saquarema não é um enfeite turístico — é o coração da cidade. Mesmo que você saia de lá apenas com alguns “caldos” na conta, ou com a memória de ter visto uma bateria perfeita sentado no calçadão, entender a dinâmica das ondas desse lugar muda para sempre a forma como você enxerga o litoral fluminense. Amarre a prancha no carro, respeite o mar e caia na água.
Conteúdo produzido e revisado por Luiz Flávio, colaborador do ModoBeta.

